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Novo projeto e descontinuação do blog

Bem, sei que alguns estariam esperando a atualização do mês passado, mas é com certa tristeza que anuncio que o blog será descontinuado.

Estou trabalhando em um novo projeto, trata-se de um portal fundamentalista com tudo (ou quase) necessário para avaliação de empresas, com informações, controle de portfólio e outras análises.

Para falar a verdade eu não sei nem se tudo dará certo, mas esse processo todo está demandando praticamente todo o meu tempo livre.

Sobre o portfólio, finalmente foi rompida a barreira dos 50k, passando para uma rentabilidade positiva também, tanto no ano como no geral.

Agora no mês de novembro fui um pouco radical e acabei tirando a previdência do portfólio. O extrato dela é algo que irrita muito. Fato que me trouxe de volta aos 40k e mesmo assim acima dos planos. Agora é aportar mais em RF para ajeitar a alocação que ficou bem pensa para as ações e também tentar cada vez mais diluir o valor astronômico da Petrobrás.

Espero que eu possa de vez em quando ainda trazer alguns assuntos a serem discutidos bem como mostrar a continuação da evolução. Abraços e obrigado a todos que acompanharam até aqui.

O caso do Japão derruba o buy and hold?

Continuando no assunto de risco na bolsa de valores e aproveitando um comentário feito no último post, vamos falar sobre o caso do mercado japonês. Durante 20 anos, mais precisamente de 1989 até 2009, o Nikkei teve retorno anualizado negativo.

Os terríveis 20 anos do Nikkei: o maior medo de qualquer investidor

De acordo com esse fato, é possível que algumas pessoas considerem o buy and hold como uma estratégia errônea.  Mas podemos analisar melhor os mercados, índices e momentos e comparar se o problema realmente está nessa forma de investir.

O mercado japonês vinha de uma alta completamente infundada durante quase 20 anos. Nos últimos 10 anos, o índice Nikkei tinha valorizado em média 21,2% a.a e os números começaram a ficar inchados demais. As ações estavam sendo negociadas a um preço acima de 80 vezes o seu lucro, mostrando a total irracionalidade do período. Para se ter ideia, um mercado é considerado sobreavaliado quando seu P/L está acima de 22,5. Uma hora a bolha iria estourar.

E o fato que considero mais importante e que muda completamente os resultados, é que o índice Nikkei 225, assim como o DJI, não conta os dividendos das ações. Só não me perguntem o porquê. E mesmo com toda a queda do índice desconsiderando os dividendos, ainda houve ações que tiveram valorização, ações que não estavam avaliadas na mesma média absurda do mercado.

Outra coisa que devemos levar em consideração é que existe uma grande diferença entre os países. Brasil e Japão possuem mercado, economia e momento completamente diferentes. No ano de 1989, o Japão já era uma economia estabilizada e amadurecida. Caso distinto do qual vivemos no Brasil hoje, ainda temos muito o que evoluir em termos econômicos e financeiros.

Acima de tudo, não importa o quão mal o buy and hold pode ter sido neste período, qualquer outro tipo de estratégia dentro da bolsa de valores seria pior. Ninguém é mágico para acertar o timing desses topos e fundos. É completamente errado focar apenas na exceção de uma estratégia que é vencedora por longo períodos.

E o que podemos concluir de toda essa história?

Assim como na bolha americana no começo da década passada, o P/L do mercado Japonês estava muito acima de um considerado sobreavaliado. O maior problema é que até poderíamos conseguir identificar uma futura bolha ou inchação nos preços através disso, mas como iríamos saber quando esta estouraria? O mercado pode muito bem continuar subindo por muitos anos sem problema algum. É algo que necessita muito estudo e disciplina para não entrar nesse otimismo frenético. No meu caso, nunca investiria em ações com um P/L tão alto assim.

Risco na bolsa de valores

Sempre que eu falava (parei pelos próprios motivos descritos na próxima frase) para alguém que invisto na bolsa, ouvia comentários impressionados e observações de que investir em ações é muito arriscado. Esse é o primeiro pensamento que as pessoas têm quando o assunto é o próprio dinheiro, ninguém realmente quer correr o risco de perder o que é seu. (Mas gastar comprando a última moda todo mundo quer kkk)

O conceito de risco no mercado de ações é algo que pode ser levado a uma discussão um pouco mais longa. A bolsa de valores é um investimento de longuíssimo prazo, local onde se deve colocar apenas dinheiro que não há necessidade de uso por um bom tempo. A ideia do risco é normalmente apontada para uma possível queda ou volatilidade no preço de uma ação, mesmo que essa queda for cíclica ou temporária e mesmo que o investidor não tenha vendido suas ações.

É meio confusa a definição de risco para as ações, já que conseguimos ter uma relação de segurança e insegurança para as mesmas ações em períodos diferentes ou até mesmo iguais. Este é mais ou menos o ponto que quero chegar. Historicamente é comprovado que o investimento em ações possui o maior retorno em longo prazo, mas se a volatilidade nos preços das ações durante esse longo prazo pode ser chamado de risco, então estas ações podem ser consideradas ao mesmo tempo seguras e inseguras.

Essa é uma parte bem interessante que mostra estes pontos, retirada do livro “The Intelligent Investor” e livremente traduzida por mim:

“Se um portfólio de ações de empresas qualificadas mostra um retorno satisfatório durante anos, o senso comum sobre estas ações é que elas provaram ser “seguras”. Durante o período o valor de mercado destas ações com certeza flutuou, mas só não foram vendidas por um valor abaixo do preço pago pelo investidor.”

O livro sugere que esta confusão pode ser completamente evitada se aplicarmos o conceito de risco somente quando temos uma perda subsequente da venda destas ações, um problema de gerenciamento, uma diminuição constante no lucro, poucas perspectivas, estagnação de crescimento, ou, ainda mais normal, o problema de pagar um preço muito alto em relação ao valor da empresa.

Depois de uma grande crise, como a de 2008, a maioria dos investidores considera o mercado muito arriscado. Mas esquecem-se de que o fato de os preços terem caído tanto, tornou as ações muito mais seguras do que antes. As pessoas acabam saindo da bolsa, quando na verdade deveriam estar entrando. E acabam esquecendo de que no longo prazo, a bolsa tende a render mais do que todas as outras aplicações.

Espero continuar escrevendo um pouco mais sobre risco nos próximos tópicos e assim cada vez mais justificar minha alocação entre 80 a 90% em ações!

Pequena análise sobre a Eletropaulo

Acabei comprando ações da Eletropaulo hoje e acho que devo justificar minha aquisição.

A princípio, a empresa encontra-se com indicadores muito bem avaliados. Com P/L e P/VPA bem abaixo da média do mercado e um crescimento anual dos lucros de mais de 10%. Sem contar o DY impressionante.

Como ponto negativo, a empresa possui quase 70% de dividas sobre o patrimônio líquido, mas ao que tudo indicada isso não é um grande problema, já que isso vem diminuindo ao longo dos anos. Outro fator importante a ser analisado é que somente a partir do ano de 2006 a empresa começou a ter lucros contínuos e crescentes. Há também o famoso processo judicial sobre a dívida com a Eletrobrás. Caso não ganhe, poderá perder praticamente um ano de lucro.

Porém o que poucos consideram na hora da avaliação, é que o próprio processo judicial transforma a ação em uma grande oportunidade. Caso não existisse este fato, não seria possível compra-la ao preço que está hoje. O próprio mercado utiliza essa informação para precificar a ação abaixo do seu valor.

Reafirmando: Estou comprando um lucro de R$ 6,35 (considerando fim de 2009) por R$ 30,25. Isso significa um poder de ganhos de 20%, sendo que o lucro cresce em média 10% ao ano. Sem contar os enormes dividendos. Operação que nunca poderia ser feita sem a existência do processo com a Eletrobrás.

Obs.: Como muitos puderam ver, este mês acabei deixando o blog um pouco para segundo plano. Andei muito ocupado, mas dessa vez com coisas que não tem nada a ver com trabalho! Não gosto de comentar muito sobre a vida pessoal aqui, mas é o tipo de experiência que abre a cabeça das pessoas e as faz ver um mundo totalmente diferente. Novos jeitos de pensar e lidar com a vida!

Livro: Os Axiomas de Zurique

Outro dia eu estava no Youtube vendo alguns vídeos sobre economia e no fim acabei achando algumas resenhas do livro “Os Axiomas de Zurique”. Não bastando ser a maioria trabalhos de pós graduação, todos os vídeos estavam falando bem sobre o livro! Minha opinião sobre este, como muitos devem saber, é completamente contraditória a esse senso comum.

Vamos à definição de Axiomas segundo a Wikipédia:

“A expressão axioma tem dois significados possíveis. O filosófico, que define o termo como a premissa imediatamente evidente que se admite como verdadeira sem exigência de demonstração, e o lógico, que define axioma como a proposição que se toma como verdadeira porque dela se podem deduzir as proposições de uma teoria ou de um sistema lógico ou matemático.”

Como alguém faz um livro com várias afirmações absurdas e as nomeia de axiomas? Pior: Como estas são tão aceitas nos dias atuais? O livro chega à demência de considerar que investir e especular é a mesma coisa.

Como já definia muito bem Benjamin Graham:

“Uma operação de investimento é a qual através de análises promete uma segurança do principal e retorno adequado. Operações que não cumprem esses requisitos são especulativas.”

Um investidor sabe que uma ação não é apenas são apenas letrinhas e números piscando em seu homebroker, ela representa uma empresa.

O primeiro conselho do livro é arriscar. “Se você não está preocupado, não está arriscando o bastante” Diz o autor. Dentro deste, vem uma das piores afirmações possíveis em um livro de investimentos: resista à tentação das diversificações. Como assim? Não diversificar? E o risco disso? Qualquer investidor racional sabe que o risco não sistêmico pode ser completamente extinto com o poder das diversificações.

Depois o livro passa para os axiomas da ganância e da esperança, onde revela que quando o investidor atinge seu objetivo ou quando algo já começa a dar errado, deve-se sair rapidamente da operação. Essa afirmação é verdadeira apenas para um especulador que não conhece a situação financeira da empresa e não sabe onde colocou seu dinheiro. Como premissa básica, o investidor deve pensar no longo prazo, analisando de maneira inteligente a situação financeira das empresas em que faz parte. Para quem faz as devidas análises, volatilidades de curto prazo são completamente aceitáveis.

O autor também considera errado fazer preço médio. Novamente, se todas as análises foram feitas e o investidor percebe que a empresa tem um grande crescimento ao longo dos anos e não houve nada que atingiu sua capacidade financeira é perfeitamente aceitável fazer preço médio. Errado é fazer preço médio quando se é especulador – aqui novamente entra a diferença entre um investidor e um especulador, que o livro teima em considerar a mesma coisa (!!!).

O último axioma é o mais absurdo de todos. Segundo o autor, planejamentos de longo prazo não devem ser levados a sério. Qualquer investidor sensato jogaria o livro fora no exato momento em que terminasse de ler esta frase. O problema é que esses axiomas são lidos por iniciantes – em sua maior parte – que acabam acreditando nisso. Os maiores retornos históricos são comprovadamente de longo prazo e somente com um planejamento detalhado podemos saber se estamos no caminho correto.

Uma das poucas partes consideráveis do livro é em relação às previsões e padrões. Diz que ninguém consegue prever o futuro e que não existe uma fórmula exata que vá proporcionar ganhos sempre. Muito cuidado com os gráficos, o que aconteceu no passado pode não acontecer no futuro. A mesma relação tem à religião ou qualquer outra superstição, não vai fazer ninguém ganhar dinheiro.

Finalizando, mesmo com todas essas incoerências e dicas de como não investir, o livro continua sendo um dos mais recomendados para iniciantes no mercado financeiro. Assim, todos perdem dinheiro, ficam traumatizados e acham que a bolsa não passa de cassino. Isso é a maior prova de que a forma como tratamos os investimentos está apenas engatinhando no Brasil. Ainda os vemos apenas como apostas.

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